Reportagem Jornal Folha São Paulo (caderno cotidiano) - Domingo, 27 de Junho de 2010
Radioamador de Ribeirão Em tempo de Orkut, Twitter e MSN, comunicação por rádio mantém seguidores fieis, que atuam em catástrofes.
Quando tudo falhar, pode estar certo de que o rádio vai funcionar e estabelecer uma rede de comunicação", diz fã.
O técnico de informática Renato Sbardelini simula uso de modelo antigo de rádio amador em sua casa, na vila Tibério.
JEAN DE SOUZA - DE RIBEIRÃO PRETO
De sua casa em Ribeirão Preto, o técnico de informática Renato Sbardelini, 42, busca informações sobre as enchentes no Nordeste e as repassa a outras pessoas, em tempo real. Não utiliza para isso Twitter, Orkut ou MSN.
Prefere uma rede social mais antiga, que, mesmo com o avanço da internet, mantém seguidores fiéis: a comunicação por rádio.
A atuação como Defesa Civil em catástrofes como as enchentes que destruíram cidades do Nordeste na semana passada e o terremoto que atingiu o Haiti, no início deste ano, é o que mais atrai e garante a sobrevivência do radioamadorismo, segundo o caminhoneiro Rogério Aristides da Silva Pereira, 32.
"Quando tudo falhar, pode estar certo de que o rádio vai funcionar e estabelecer uma rede de comunicação."
Foi o que aconteceu no caso do Haiti, quando os tremores que mataram a brasileira Zilda Arns destruíram a rede de telefonia do país.
"Nós mantínhamos contato, repassávamos informações sobre o que estava acontecendo para as autoridades e para os grupos de ajuda", disse Sbardelini.
No caso das enchentes do Nordeste, o técnico em informática cumpre o mesmo papel. Ele diz passar, ao menos, dez horas por dia conversando ou simplesmente ouvindo o que é discutido no rádio.
Não é só para essa vigilância voluntária, porém, que o radiomadorismo é usado pelos ribeirão-pretanos.
Como suas similares no mundo virtual, a rede social por ondas de rádio também serve para bater papo, fazer novos amigos ou estreitar laços com os já existentes, afirma o presidente da Casa do Radioamador de Ribeirão Preto, Rogério José Mello, 42.
Segundo ele, a principal diferença entre os radioamadores e outros meios de comunicação é a curiosidade que os primeiros têm de montar sua estrutura.
"Quem é radioamador gosta de experimentar coisas, de montar equipamentos. Basta eu ter uma antena e meu radinho que consigo falar com o mundo inteiro."
A associação que Mello preside foi fundada em 1964 e chegou a 2010 com apenas 34 associados. Em Ribeirão, ele estima em 300 o número de radioamadoristas.
Fazer parte desse universo significa possuir um equipamento certificado pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), pagar anuidade e fazer prova para a obtenção de uma licença.
Para atuar em situações de emergência no auxilio à Defesa Civil, porém, esses requisitos não bastam.
É preciso estar vinculado ao Rener (Rede Nacional de Emergência de Radioamadores), ligado a órgãos da Defesa Civil do Brasil.
Apesar da facilidade que outros meios têm, atualmente, de comunicação instantânea -o que os rádios fazem há pelo menos um século-, Pereira diz acreditar que o radioamadorismo não irá acabar. Pelo contrário, diz, a internet pode até ajudar no aperfeiçoamento do hobby.
Um exemplo do encontro entre as duas tecnologias pode ser visto no escritório de Sbardelini. Em fevereiro, ele inaugurou seu echolink -uma estação virtual de radioamadores a que usuários de todo o mundo têm acesso. Quem não é habilitado pode ouvir, mas não participar.
Reportagem Jornal a Cidade de 10 de novembro de 2009
Prezados amigos e colegas Radioamadores de Ribeirão Preto e região,
Ao assumir a coordenação da CRRP – Casa do Radioamador de Ribeirão Preto avocamos a responsabilidade de manter viva a história da nossa entidade, bem como, promover ações que dignifiquem a nossa classe, de maneira a auxiliar direta e indiretamente a população.
Aos Radioamadores que tiveram algum contato com a CRRP são sabedores das dificuldades que temos em angariar recursos para o mantenimento do prédio, bem como, os equipamentos da repetidora PY2KAR, o que dirá, promover eventos e ações filantrópicas sem recursos, haja vista, não haver subvenção ou quaisquer outros tipos de auxílio do poder público, cabendo a nós, solicitar doações e trabalhos voluntários dos radioamadores vocacionados existentes no nosso meio.
No intuito de não deixar que estas dificuldades transcendam a vontade e vocação de nossos companheiros, desenvolvemos um trabalho de digitalização dos documentos existentes em nossa Associação que são cerca de 2000 imagens, bem como, elaboramos este site para aproximar nossos colegas, colaboradores e admiradores inclusive com a divulgação periódica do nosso QTC atingindo cerca de 12.000 pessoas sem levar em consideração grupos internacionais qual não dispomos de controle nas suas divulgações. Com relação ao prédio, já na administração anterior, faziam-se reformas de algumas salas, organização dos equipamentos do nosso museu, e, dando seguimento a estas ações, promovemos a classificação e registro desses equipamentos, reformamos o mirante pintando e instalando calha elétrica com diversos pontos de energia e iluminação, câmera de transmissão on line deste mirante onde através de acesso ao site qualquer pessoa pode acompanhar as atividades, chegada de cabos de antena de 2m, 40m e 80 m de maneira que este local pudesse ser utilizado para as transmissões e contestes da nossa Associação.
Efetuamos contatos com entidades filantrópicas, a fim de promover ações sociais e, para este mês de novembro, com acordo já estabelecido com parceiros da CRRP, estaremos doando brinquedos para algumas entidades a fim de tornar o Natal mais alegre às crianças, apelando inclusive para o envolvimento e apoio da nossa classe.
Dentre estes contatos, em diálogo com algumas secretarias e órgãos municipais, permitimos a instalação de repetidoras destes órgãos (Bosque Municipal e Fiscalização Geral que aguarda autorização da Anatel para funcionamento), a fim de auxiliá-los e promover espírito de parceria entre as partes. Na Secretaria da Cultura, em reunião com a Sra. Adriana Silva, esta nos solicitou ajuda no sentido de cedermos algum espaço para que pudesse instalar o Museu de Imagem e Som e, para tanto, em consenso com a diretoria da CRRP, ficou acertado que as duas salas principais (à direita do prédio) seriam utilizadas para o MIS, o auditório seria reformado para utilização comum entre a Secretaria e a CRRP e na sala de recepção seria colocado um balcão com uma atendente no qual atenderia as pessoas tanto para o MIS quanto para a CRRP. Este tipo de parceria, segundo a própria Sra. Adriana, possibilitaria a reforma geral do prédio e inclusive a “renovação do Contrato de Comodato sem discussões”.
Esperamos que nossas ações bem como parcerias e acordos sejam respeitados e, possamos continuar promovendo filantropia e desenvolvimento técnico científico, contando com a compreensão e auxílio do poder público municipal de maneira que o Radioamadorismo seja cada vez mais atuante na nossa região.